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| Foto: Sibele Cação (CRMV/MS), Valdemir Alves (FAMEZ/UFMS) e Luis Claudio Lopes (USP). |
Nos dias 31 de maio e 1º de junho aconteceu o XVIII Seminário Nacional de Ensino da Medicina Veterinária, em Brasília/DF, promovido pelo CFMV. O principal objetivo do evento, organizado pela Comissão Nacional de Ensino da Medicina Veterinária (CNEMV) do CFMV, foi trazer novos conhecimentos para os participantes, além da discussão e da troca de experiências sobre o ensino da Medicina Veterinária no Brasil.
A programação foi intensa, com a realização de 12 palestras sobre os mais variados temas, com posterior espaço para os debates.
31 de maio
“Papel e ações da Diretoria de Regulação e Supervisão da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação” – Prof. Engenheiro Elétrico Paulo Wollinger, Diretor da Regulação e Supervisão (SESu-MEC)
“Formação humanista na busca das competências sociais” – Prof. Médico Veterinário Ricardo Tescarolo (PUC-PR)
“Estratégias Institucionais para a motivação docente” – Prof. Médico Veterinário Marcelo Hauaji de Sá Pacheco (Vice Reitor de Graduação da Universidade Castelo Branco)
“Histórico do Ensino da Medicina Veterinária no Brasil” – Profa. Médica Veterinária Miliane Moreira Soares de Souza (UFRRJ)
“NAVMEC (North American Veterinary Medical Education Consortium) – A experiência norte americana do planejamento para o futuro da profissão Médico Veterinária” – Dr. Médico Veterinário Mike Chaddock (Association of American Veterinary Colleges)
“A experiência norte americana para o futuro da profissão Médico Veterinária: Aplicação e perspectiva para o contexto nacional” – Prof. Médico Veterinário Rafael Gianella Mondadori (CNEMV/CFMV)
1º de junho
Prof. Médico Veterinário João Carlos Pereira da Silva (CNEMV/CFMV)
“Avaliação in loco dos cursos de Medicina Veterinária no contexto da supervisão de cursos pelo Ministério da Educação” – Prof. Médico Veterinário Benedito Dias de Oliveira Filho (CNRMV/CFMV e UFG)
“Exame Nacional de Certificação Profissional – Retrospectiva e Prospectiva” – Prof. Médico Veterinário Fernando Leandro dos Santos (CNRMV/CFMV e UFRPE)
“Oportunidades e perspectivas do agronegócio” – Prof. Médico Veterinário Júlio Jardim Barcelos (UFRGS)“Oportunidades e perspectivas no mercado de animais de companhia” – Profa. Médica Veterinária Mitika Kuribaiashi Hagiwara (USP)
“Um mundo, uma saúde” – Profa. Lígia Cantarino (UNB)
Na abertura do Seminário, o Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, exaltou a necessidade da formação profissional do médico veterinário estar alinhada aos avanços da modernidade e enfatizou a importância de se priorizar uma graduação generalista aos jovens estudantes. “Precisamos estar atentos às modernizações para nos adaptarmos às novas demandas da sociedade para a Medicina Veterinária. Não podemos estar alheios a tantas mudanças e plantados na ortodoxia do ensino”, enfatizou Arruda.
Em seu pronunciamento, o Presidente da CNEMV, Médico Veterinário Rafael Gianella Montadori, lembrou que dos aproximadamente 700 cursos de graduação em Medicina Veterinária existentes no mundo, cerca de 170 estão no Brasil, o que representa quase 25%. Montadori também mostrou preocupação com a qualidade dos cursos no Brasil, e conseqüentemente com a formação dos novos profissionais.
A Presidente do CRMV/MS, Médica Veterinária Sibele Cação, que participou do Seminário, fez a seguinte retrospectiva: “Segundo o representante do MEC, Prof. Paulo Wollinger, o Governo Federal tem o desafio de duplicar o número de vagas no ensino superior, para que então, apenas 30% dos brasileiros, em idade jovem, possam cursar uma faculdade. Essa posição nos preocupa muito, pois percebemos que não há muito interesse em primar as universidades pela sua qualidade. Somente números estão sendo apontados. Por outro lado, foi pensamento geral, entre os palestrantes do evento e os coordenadores de cursos, o fato de que não se deva, para o futuro, querer mudar muito a grade curricular do curso nas universidades. O importante é que cada uma consiga cumprir o que dispõe a Lei 5.517, de 1968, que estabelece todas as competências do médico veterinário, pois o mesmo tem que sair bem preparado da universidade para ser um competente profissional generalista. O aperfeiçoamento virá em decorrência das escolhas e aptidões pessoais de cada um.”
Na última etapa do evento, a Plenária Final, Sibele Cação agradeceu o convite para a sua participação no evento, representando o CRMV/MS, dizendo-se muito satisfeita com as palestras e os debates, e acrescentou: “Creio que seja de extrema importância que todos os estados tenham suas próprias Comissões Estaduais de Ensino da Medicina Veterinária e que através delas, e de uma maneira integrada com a Comissão Nacional de CFMV, possam debater o futuro e a qualidade do ensino em cada região, que têm suas particularidades. Aí sim a participação dos acadêmicos poderá ser maciça, pois é muito mais fácil a participação deles no seu próprio estado. Em Mato Grosso do Sul nós defendemos uma formação com ênfase na produção animal, já que nosso estado é predominantemente produtor de bovinos de corte. É claro que formar nossos jovens profissionais para atender às demandas das outras áreas de atuação é muito importante, e isso será plenamente possível com um entendimento entre as universidades, que poderão atuar de maneira conjunta entre si e com o CRMV/MS, que tem como finalidade orientar, supervisionar e disciplinar as atividades relativas à profissão de médico veterinário, e o ensino é uma dessas atividades”.
A Comissão Estadual de Ensino da Medicina Veterinária do CRMV/MS, assim como as outras Comissões deverão ser criadas a partir deste mês de junho, já que a Presidente está aguardando a concretização das mudanças iniciais propostas pela nova gestão, que está apenas em seu quarto mês de mandato, entre as quais o restabelecimento da antiga sala de reuniões da sede administrativa, oferecendo assim a logística necessária para que as Comissões se reúnam. “Hoje temos que alugar uma sala de hotel para realizarmos nossas reuniões do Plenário, e o mesmo teríamos que fazer para reunir as nossas Comissões. Isso gera uma despesa desnecessária, que a meu ver poderá ser redirecionada para a aquisição de bens duráveis para o Conselho, como móveis e computadores, hoje em déficit para a atual demanda de serviços. As contas públicas devem ser geridas com o mesmo bom senso com o qual gerimos as nossas próprias contas, ou seja, não deve haver desperdícios, mas bons investimentos. Essas mudanças com certeza vão gerar rapidez e qualidade no atendimento”, afirma a Presidente Sibele Cação.